Havia uma vez um gatinho chamado Barsik. Ele era ainda muito pequeno e muito engraçado. De manhã até à noite, seu rabinho preto e fofinho aparecia aqui e ali. Com seu narizinho rosa, ele estava sempre farejando, como se tivesse medo de perder algo interessante.
Barsik adorava especialmente subir em árvores. Subia em uma árvore e observava de cima o que estava acontecendo lá embaixo, na terra. E havia muita coisa interessante acontecendo...
Às vezes, um bando de pardais tímidos voava de repente e se espalhava pelo pátio procurando comida, o que desagradava muito ao galo Pedro. Quando esses hóspedes inesperados apareciam, ele começava a cacarejar tão alto que até o velho gato Vasílio, que dormitava sob o arbusto de groselha, abria os olhos. Ao ver os pardais, ele se transformava instantaneamente em um verdadeiro caçador.
Vasílio começava a se aproximar lentamente dos pássaros desatentos, se preparando para o salto. Mas não era bem assim: ao ver o gato, os pardais, como se fossem levados por um redemoinho, voavam para cima e desapareciam de vista... Às vezes, um cão chamado Arisco saía de sua casinha e, arqueando as costas, se espreguiçava, esticando as patas dianteiras e abrindo bem a boca, da qual saíam dentes assustadores.
Barsik se sentia desconfortável, mesmo quando estava a uma distância segura do cão feroz. O pequeno sempre tentava ficar longe da casinha do cão, achando que seria mais seguro. Afinal, quem sabe o que poderia passar pela cabeça do cão irritado!
E Arisco se irritava por qualquer motivo, especialmente com as moscas chatas e atrevidas que frequentemente o incomodavam, não o deixando aproveitar a sombra nos dias de verão... E às vezes uma galinha corria pelo pátio com muito cacarejar...
Barsik, escondido atrás de um galho, observava por muito tempo o que acontecia lá embaixo, até que se cansava. Depois seu olhar se voltava para o céu. Nele, impulsionadas por um vento travesso, as nuvens corriam. Barsik as acompanhava atentamente até desaparecerem ao longe.
Ele muito gostaria de fazer amizade com alguma nuvem, mesmo que fosse a menor delas. Afinal, todos sabem que a força da amizade não depende de você ser grande ou muito pequenino!
Mas as nuvens não notavam Barsik, e isso o deixava triste e solitário. Nem os passarinhos, nem as lindas borboletas que voavam sobre o canteiro de flores, nem as pombas tagarelas que às vezes pousavam na árvore para descansar — ninguém prestava atenção no gatinho.
Será que nunca terei amigos?
Suspirava Barsik com tristeza e descia da árvore.
Em uma manhã maravilhosa, Barsik, como de costume, escapou de casa e saiu em busca de novas aventuras, embora sua pouca experiência de vida tentasse com todas as forças impedir o inquieto gatinho de se meter em problemas que ele já havia enfrentado no pátio.
Passeando pelo jardim, ouviu um zumbido estranho vindo do canteiro de flores, onde floresciam abundantemente as aromáticas floxes. Barsik ficou atento, mas a curiosidade foi mais forte que o medo. Aproximando-se cuidadosamente das flores, viu muitas abelhinhas zumbindo sobre as floxes.
Ao gatinho pareceu que as abelhas estavam brincando de pega-pega, e decidiu, sem demora, se juntar a elas. Aproximou-se das flores e estendeu sua patinha para uma das abelhas. Mas ela, irritada, picou dolorosamente o pequeno bem no seu narizinho rosa.
O coitadinho, miauzando lamentavelmente, correu desesperadamente para seu refúgio: rapidamente subiu no velho bétula e se escondeu em suas folhas densas, com medo de ser perseguido. Depois de se acalmar, Barsik se atreveu a olhar para baixo.
E de repente notou uma pequena criatura cinzenta que sacava a cabeça de uma toca e olhava ao redor com medo. Barsik, esquecendo de tudo, rolou para baixo da árvore e se viu diante do desconhecido. Este ficou paralisado de surpresa.
Quem é você?
Perguntou Barsik, observando o desconhecido.
Um ratinho. Você vai me comer?
Murmurou o pequeno.
Por que você pensa assim?
Minha mãe me disse que gatos comem ratos.
Suspirou o ratinho com resignação.
Bem, mas não tenho vontade nenhuma de te comer. Que tal a gente brincar? Estou entediado de estar sozinho.
Ofereceu Barsik.
Vamos!
Alegrou-se o ratinho.
E Barsik e seu novo amigo começaram a brincar alegremente. Não perceberam quando chegou a noite. Os amigos se despediram com pesar, combinando se encontrar novamente na manhã seguinte.
Barsik, feliz por finalmente ter um verdadeiro amigo, não conseguiu dormir por muito tempo e mal esperou o amanhecer. Com os primeiros raios de sol, ele já estava no pátio. Logo apareceu o ratinho, mas não sozinho... Ele trouxe seus irmãos. Que diversão foi!
Acontece que é tão bom viver neste mundo quando se tem amigos por perto, mesmo que sejam tão pequeninos.
Quando Barsik cresceu e se tornou um gato grande e forte, continuou amigo dos ratos e não deixava ninguém machucá-los. Frequentemente tinha que lutar com outros gatos que, ao ver um rato, imediatamente começavam a perseguir o coitadinho.
E por que eles são tão burros? Não é possível viver em harmonia?
Se perguntava Barsik.
Enroscado em uma bolinha, ele se deitava na varanda, apreciando os raios macios do sol, e ronronava de prazer. E quando Barsik adormecia, sonhava com seus pequenos amigos cinzentos, com quem era tão bom estar.