Em uma cidadezinha muito, muito pequena, bem longe de São Paulo, vivia uma menina chamada Maria. E ela parecia ter tudo — era bonita, inteligente e já estava pronta para entrar na primeira série. Mas ela tinha um desejo muito forte de ficar na Internet.
Ah, mãe, me compra um tablet.
Todos os dias isso ecoava em sua casa.
Mas a mãe resistia no começo. Vez após vez fazia a pergunta:
Mas pra que você quer um tablet, filhinha? Você não tem o que fazer? Olha a natureza linda que temos aqui, tão linda…
Mas Maria não desistia e começava de novo sua cantilena:
Eu quero entrar na Internet, igual a Julinha. Tem tanta coisa lá, mãe… A Julinha diz que tem aplicativos educativos. Com o tablet eu vou ficar super inteligente na escola!
E um dia o coração amoroso da mãe amoleceu. Ela juntou suas economias e pediu ajuda aos vizinhos, e um dia trouxe um tablet. Entregou para Mariazinha radiante de felicidade, sorriu com seus pensamentos e foi cuidar da horta.
Mariazinha sentou-se no sofá com o tablet e começou a brincar. E realmente tinha tanta coisa lá… Dava para conversar com os amigos, assistir vídeos coloridos, ver muitas, muitas imagens brilhantes e ouvir música animada.
E Maria não percebeu como o dia inteiro passou. A mãe veio até ela e estalou a língua irritada:
Então você ficou aqui o dia todo? Agora vai dormir!
Ah, só mais cinco minutinhos!
Mas a mãe foi inflexível:
Já são dez da noite! Todas as meninas comportadas já estão dormindo.
Relutante, Maria largou o tablet e foi se deitar. E sonhou que se tornara a pessoa mais popular da Internet. Por isso, no sonho, Mariazinha sorria amplamente, encantando sua mãe.
O dia seguinte também passou. Só que a mãe de Mariazinha esperava visitas. Ela passou o dia inteiro ocupada com a casa, e Mariazinha se recusava a ajudar. A mãe teve que fazer tudo sozinha: arrumar a mesa, limpar a casa e trabalhar na horta.
Maria apenas ignorava seus pedidos, pois a Internet era mais interessante. E mesmo quando Julinha veio com a mãe, Maria nem virou a cabeça na direção dela. A mãe apenas balançou a cabeça consternada e foi embora.
E Maria nem percebeu como o dia passou, e adormeceu com o tablet nas mãos.
Não se sabe quanto tempo ela dormiu, mas acordou em um quarto escuro, muito escuro.
Mããããe.
Maria chamou, mas ninguém respondeu. Assustada, a menina pulou da cama, calçou os chinelos e correu pela casa. Mas não havia ninguém.
Ela foi embora.
De repente uma voz soou. E com horror Maria descobriu que vinha do tablet.
O que aconteceu? Para onde ela foi?
A menina perguntou com voz trêmula.
Isso importa? Já é outubro, ela foi para a cidade.
Outubro? E eu? Eu deveria ter entrado na escola!
Maria segurou a cabeça com as mãos, consternada.
Você precisa disso? Pense bem. Aqui eu tenho tudo: nós dois vamos aprender o programa escolar juntos.
Maria até achou que viu um sorriso aparecer na tela preta.
E a Julinha? A mamãe, os colegas de classe? Não, isso não pode ser.
Isso tudo é bobagem, você logo vai esquecer. A mamãe não vai voltar, ela está magoada com você. E vamos ficar nós dois para sempre. Vou te mostrar tantos jogos, tantos vídeos. Quer?
Nããããão.
Maria recuou assustada.
Não-não-não-não.
E ela gritou. Sentou-se no chão e simplesmente começou a gritar… Até acordar de repente.
O que foi, Mariazinha? Teve um pesadelo?
A mãe assustada apareceu na porta do quarto.
Nada, mamãezinha.
Maria correu até a mãe e a abraçou forte.
Me perdoa. Agora eu vou sempre, sempre te ajudar em casa. E vou jogar fora esse tablet.
A mãe surpresa acariciava a cabeça de Maria e não entendia o que tinha acontecido. Talvez fosse para melhor. Mas Maria voltou a ser como antes e não ficava mais de uma hora no tablet. Senão aqueles pesadelos ruins voltariam.