Na floresta mais densa, à beira de um claro ensolarado perto de um pequeno lago, ecoavam os gritos alegres e travessos de três amigos inseparáveis.
O Hipopótamo, que todos chamavam de Sapo-Bum por sua aparência rechonchuda e pernas curtas.
O Sapo Rãozinho, porque se sentia no lago como um peixe na água.
E o Pato Quá, porque sempre grasnhava alto quando estava muito feliz.
Os amigos sempre gostavam de se reunir à beira do claro, pois nos dias ensolarados era muito aconchegante. O sol aquecia a areia e a água. O Sapo-Bum, enterrado na areia morna e úmida, se deliciava com os raios do sol acariciante.
Através das pálpebras semicerradas, ele observava como o Rãozinho mostrava ao Quá seu mais recente pirueta. Pulando de um galho para a água, o sapo fazia acrobacias tão incríveis que o Quá não conseguia parar de rir continuamente.
Os três amigos estavam incrivelmente felizes, então desfrutavam da vida.
Um dia, durante um dos jogos inventados pelo inquieto sapo, era necessário chegar à outra margem do lago. O sapo, pulando bem alto, desapareceu na água. Era possível ver como ele se movia rapidamente, remexendo as patas em direção à outra margem.
O Quá apenas grasnhou de surpresa, mas, descendo calmamente na superfície da água, com alguns golpes poderosos das patas ultrapassou o Rãozinho e observava astutamente como ele mal conseguia sair para a margem, respirando pesadamente.
Caramba!
Só conseguiu dizer o sapo.
Claro, sou o melhor nadador deste lago!
Respondeu o pato com orgulho.
Os dois amigos observavam com simpatia como o Sapo-Bum chegava à margem, bufando e levantando nuvens de respingos.
Os amigos se perguntavam quem era o melhor em assuntos aquáticos. Era claro que o Quá era o nadador mais rápido, mas seria isso suficiente?
E então o sapo inteligente sugeriu:
Espera, vamos diversificar nossa competição! Vamos ver quem de nós consegue mergulhar melhor!
O Sapo-Bum foi o primeiro a mergulhar. Seu grande corpo desapareceu sob a água, mas depois de um tempo sua cabeça com grandes narinas e olhos saiu da água.
Pronto, não aguento mais.
O Quá foi o segundo a desaparecer sob a água. Passou mais tempo, e de repente quase no meio do lago sua cabecinha adorável apareceu. No bico, o Quá segurava um galho de algas.
Agora é minha vez!
Coaxou o Rãozinho para todo o lago e desapareceu sob a água como uma andorinha. O tempo passava. A superfície do lago já tinha se acalmado há muito tempo, mas não havia nenhum sinal do Rãozinho.
Os amigos ficaram preocupados, começaram a correr pela margem do lago, chamando o sapo. Em resposta, apenas o sussurro das junças. A preocupação aumentou. O Quá e o Sapo-Bum ficaram realmente assustados.
E então viram como de baixo da água, com um sorriso de sapo inteiro, seu amigo aparecia!
Uau!!!! Eu venci!
Ecoou por todo o lago! Sim — o Rãozinho estava à altura.
Mal os amigos respiraram quando o sapo sugeriu outro teste. Era necessário descobrir quem conseguia pular na água com mais barulho.
O Quá se ofereceu primeiro. Correndo e batendo as asas alto, o pato caiu na água.
Bem, olha só!
Disse o Rãozinho e imediatamente se esticou e caiu com um grande respingo na água.
O Quá apreciou seus esforços. Os amigos começaram a discutir quem tinha levantado mais respingos.
Mas então uma onda os varreu para as junças: na clareira houve um estrondo tão forte que todos os pássaros da região voaram.
Bem, moleques, aprendam!
Respondeu o Sapo-Bum com malícia para os dois amigos molhados que espiavam confusos das junças!
Os três amigos ficaram muito satisfeitos consigo mesmos, pois cada um deles venceu em uma categoria, tornando-se o melhor.
Decidindo descansar um pouco das brincadeiras, o Rãozinho, o Sapo-Bum e o Quá pensaram em fazer um passeio. Do lago saía um pequeno riacho, e foi ao longo dele que os amigos caminharam, discutindo alegremente as aventuras recentes.
E de repente o Quá de olhos aguçados notou que em um tronco flutuando pelo rio havia um coelhinho muito pequeno. Ele estava tão fraco que, agarrado a um pequeno galho, mal conseguia se segurar. Adiante, o rio fazia uma curva, então certamente o galho teria virado e o coelhinho teria se afogado.
Sem pensar duas vezes, o Quá bateu as asas, pulou na água e correu rapidamente em direção ao coelhinho infeliz. Antes que os amigos piscassem, o coelhinho já estava na margem.
Os três começaram a fazer perguntas sobre o que tinha acontecido.
O coelhinho molhado e assustado contou sua história.
Eu estava passeando perto do rio, fiquei distraído com um galho flutuando, não percebi e escorreguei. Ao cair na água, consegui agarrar um galho que passava.
Contava o coelhinho, soluçando.
Obrigado! Que sorte que você, Quá, nada tão rápido.
Disse o coelhinho.
Ficamos muito felizes que você se salvou. Mas sempre tenha cuidado perto da água.
Respondeu o Quá por todos.
Os amigos, acenando com a pata e a asa, acompanharam o coelhinho que desapareceu nos arbustos e continuaram o passeio satisfeitos.
Mas mal dobraram a curva do rio, viram uma cena ainda mais inesperada.
Um enorme corvo atrevido circulava perto de uma grande folha de bardana que estava presa entre duas pedras grandes. Nela, agarrado com todas as forças com as garrinhas na beira da folha, um pequeno ouriço contava seus últimos minutos.
O corvo, batendo enormes asas, descia cada vez mais. A qualquer momento a besta negra capturaria o ouriço.
Nem pensar!
Gritou o Sapo-Bum. Ele correu e simplesmente pulou no rio como uma bomba. O que aconteceu depois foi incrível.
Uma nuvem de respingos que subiu no ar simplesmente varreu o corvo para longe. Todos só conseguiram ver como ele, completamente molhado, fugia de volta, nem olhando para trás.
E o ouriço? Bem, como em uma carruagem aquática, foi levado por uma onda para uma distância segura, onde foi encontrado pelos amigos. Mais uma vida foi salva! Assim é o Sapo-Bum!
As aventuras continuavam!
Os amigos, discutindo o pirueta do hipopótamo, foram para o destino final de sua jornada: uma grande árvore que tinha caído na água, e naquele lugar se formava um grande e profundo redemoinho.
Mas ao chegar à árvore, viram um pequeno esquilo. Ele chorava alto, agarrado a seu embrulho.
O que aconteceu?
Os amigos começaram a fazer perguntas.
Perdi minha chave. Minha chave do meu bauzinho, que fica no meu buraco na árvore.
Respondeu o esquilo, chorando muito.
No bauzinho tenho as nozes mais deliciosas. O que faço agora? Tudo se perdeu!
Como você a deixou cair?
Eu estava brincando perto da árvore e vi uma pininha bem perto da água. Quis pegá-la, mas meu embrulho se abriu e a chave caiu direto na água. Mal consegui me segurar. Agora estou sem chave e sem minhas nozes favoritas.
O esquilo chorava cada vez mais alto.
Calma. Onde a chave caiu?
Perguntou o Rãozinho.
O esquilo, entre lágrimas, apontou o local perto da árvore. A água escura indicava que o redemoinho era muito profundo.
O sapo pulou bem alto e entrou na água verticalmente como uma vela. Todos ficaram observando, e o esquilo até respirou fundo.
Apenas os galhos da árvore, sussurrando ao vento, indicavam que havia alguém ali. Todos ficaram imóveis e fixaram o olhar no lugar onde o sapo tinha pulado. Os círculos se dissiparam lentamente, e a superfície da água ficou novamente espelhada.
Onde está seu amigo?
Perguntou o esquilo com apreensão!
Ele está aqui, tudo ficará bem.
Tranquilizou o esquilo o Sapo-Bum.
Todos trocaram olhares e novamente fixaram o olhar na água perto da árvore.
Passou mais tempo quando de repente uma patinha de sapo apareceu acima da água, e na patinha estava a chave!
Atrás da mão apareceu o rosto satisfeito do sapo com um sorriso de orelha a orelha!
Uau!!!
Gritaram todos juntos: o Sapo-Bum, o Quá e o esquilo.
Os amigos correram para abraçar o Rãozinho, mas o esquilo os ultrapassou e quase sufocou seu salvador.
Chegou a hora de se despedir. O esquilo foi verificar seu bauzinho com as deliciosas nozes, e os amigos, satisfeitos, voltaram para casa.
Sua alegria não tinha limites, pois cada um deles tinha sido o melhor. Suas habilidades ajudaram muito os animais em perigo. E isso é o melhor — quando você é necessário para alguém e sua ajuda chega na hora certa.