«Não fique perto de mim, não:
Sou um tigrinho, não sou gato, não!
E não sou o Bichano peludo —
Sou uma fera perigosa, listrado, miúdo!
E daí que não tenho garras,
Mesmo assim pego ratinhas às barras.
Um olhar só causa pavor.
Não rosno? Estou resfriado, senhor!
Mas na minha linhagem, tenho certeza,
Havia leões e tigres com destreza!
E comigo não se brinca, não!
Ai, como as pulgas me morderam, que dor…».
Com seu reflexo conversava
O gatinho, se preparava
Para o almoço com sua pose,
Fazendo caretas e outras coisas.
Mas o ratinho só ria,
Queijo no canto comia.
Não lhe assusta ratoeira,
É uma criatura bem astuta e verdadeira!
«Vejam só, vejam só aqui!
Um tigre está, me salvem, ai!
Esse gatinho careca me fez rir,
Vou arrebentar de tanto rir!
Você não sabe miar direito,
Melhor seria grunhir, que efeito!
Você não é tigre, é um leitão,
Um filhote de porco, que confusão!»
A risada ecoava por toda parte
E as gozações, como moscas na arte,
Zumbiam, zumbiam sem parar
E o gatinho iam beliscar.
Mas o gatinho não era covarde,
Fez uma antena com seu bigode, que tarde!
Atrás da vilã pulou na hora,
Derrubou só um vaso, que dor!
Xícaras voavam, cortinas também…
Parecia que ladrões tinham vindo, além,
Que bagunça fizeram ali,
A casa virou de cabeça para cima, aqui!
O ratinho não se deixa pegar,
Parecia ser fácil de capturar,
E para um tigre tudo é possível,
Mas na verdade é bem difícil!
Chegou a mamãe gata correndo,
Acalmou o filho, compreendendo:
«Quando você crescer um pouco mais, meu filho,
Qualquer ratinho você conseguirá, que brilho!»