Em uma pequena e encantadora cidadezinha vivia uma família: mãe, pai e a pequena filha Marina. A cidade era encantadora porque ninguém mais morava lá. Não havia loja, nem escola, nem creches. Marina estudava em casa com a mãe: aprendia letras e números, dançava ao som de músicas em discos antigos.
A mãe cuidava da casa: preparava comida, criava aconchego. Os mantimentos eram trazidos pelo pai. Uma vez por semana ele saía dos limites da cidade e ia até a vila vizinha, onde havia apenas uma loja. Assim vivia a família, sem amigos e sem convívio social.
Certa noite escura, bateram na porta.
Quem é?
Perguntou a mãe surpresa.
Abra, por favor! Nos perdemos e não conseguimos encontrar o caminho de casa!
Ouviu-se uma voz infantil.
Marina quase caiu da cadeira de felicidade! Ela não acreditava que poderia conversar com outras crianças, aprender algo novo e interessante, brincar com elas e contar sobre seus sonhos.
A porta se abriu e do outro lado estavam duas pessoas — uma menina pequena de uns seis anos e uma mulher — sua mãe.
Nos perdemos e não conseguimos encontrar o caminho de casa. Podemos passar a noite aqui? Ao redor só há floresta perigosa e animais selvagens.
Perguntou a visitante.
Claro, claro, fiquem! Vem, vou te mostrar meu quarto, eu mesma arrumei e decorei tudo lá.
Disse Marina alegremente, dirigindo-se à menina.
As meninas desapareceram pelo corredor comprido.
Como você se chama?
Marina perguntou à menina.
Minha mãe me chama de Aninha.
Ah, então Ana. Posso te chamar de Aninha também?
Claro.
Assim as meninas se tornaram amigas.
Os adultos se acomodaram confortavelmente na sala. A mulher contou que na verdade não tinham para onde ir. Antigamente moravam em uma grande e bela cidade, a mulher ia trabalhar e sua filha — Aninha, estudava na escola. Mas em um dia terrível um furacão chegou à cidade e varreu tudo em seu caminho. As casas foram derrubadas pelo vento terrível e agora não tinham onde morar.
O pai de Marina ouviu atentamente essa história assustadora. Ele ofereceu à mulher e à filha que ficassem para dormir, e pela manhã declarou que queria ajudá-las. Abrindo seu velho galpão, o pai começou a tirar de lá ferramentas: martelos, serra, um monte de pregos e muitas outras coisas necessárias para construir uma casa nova e bonita.
Passaram-se alguns dias, Aninha e sua mãe moravam com a família de Marina, e o pai aos poucos construía uma nova moradia para os novos habitantes da pequena cidade.
Passou-se uma semana e a nova casa bonita estava pronta. Aninha e sua mãe se mudaram para lá e passaram a viver ao lado de Marina. Assim a cidade ficou maior.
Chegou o outono frio. Os novos habitantes da cidade frequentemente visitavam Marina e sua família. As mães compartilhavam novas receitas, o pai contava histórias engraçadas, e as meninas compartilhavam sonhos de que mais crianças viriam para a cidade, e todas juntas brincariam e se divertiriam.
E de repente, em um belo dia ensolarado, bateram na porta.
Quem é?
Perguntou o pai da família de Marina.
Abra, por favor.
Ouviu-se a voz assustada de um menino.
O pai se apressou em abrir a porta e viu diante de si um menino bem pequeno e uma menina pequena.
E onde estão seus pais?
Nos perdemos. Em nossa cidade houve uma tempestade terrível, um raio atingiu nossa casa e agora não temos onde morar. Fugimos, e mamãe e papai estavam no trabalho. Estávamos com tanto medo que corremos desesperadamente sem rumo e acabamos chegando aqui.
Bem, entrem, fiquem para dormir. E amanhã vou procurar sua mãe e seu pai, eles devem estar preocupados procurando vocês.
No dia seguinte foi o que fizeram. O pai partiu em busca dos pais dos visitantes inesperados, e as crianças ficaram esperando.
O pai de Marina caminhou muito tempo, saiu pela manhã e só chegou à cidade das crianças ao anoitecer. Lá ele rapidamente encontrou os pais do menino e da menina e os levou para sua casa.
Muito obrigada! O que faríamos sem vocês? Já não acreditávamos que encontraríamos nossos filhos queridos.
Gritou a mãe das crianças.
Naquela noite todos se reuniram à mesa e fizeram uma verdadeira festa. E Aninha com sua mãe eram gratas à família de Marina, e o pai e a mãe das crianças pequenas que se assustaram com o raio e fugiram da cidade.
E de repente ouviu-se um estrondo terrível. Ao redor ficou muito escuro, e o som assustador se aproximava na velocidade da luz.
Todos se escondam no porão! Abram a tampa e desçam rápido!
Gritou o pai de Marina.
Estando todos no porão escuro e frio, todos ouviam a casa desabar, onde há pouco estavam sentados tomando chá delicioso com biscoitos. Armários caíam, cadeiras voavam pelos cômodos, louças caíam no chão e se quebravam.
Passaram-se algumas horas e o estrondo cessou. O primeiro a sair do porão foi o pai de Marina. Ao chegar na rua, ele não podia acreditar em seus olhos — a casa estava completamente destruída. Não sobrou uma única parede inteira. Foi um furacão terrível que passou e destruiu tudo ao redor.
Onde vamos morar agora?
Perguntou a mãe de Marina.
Não se preocupem! Vocês nos ajudaram quando tivemos problemas, e nós não vamos deixá-los sem ajuda nessa situação.
De repente gritou o pai do menino e da menina que se perderam.
Aninha e sua mãe apoiaram a ideia. E em poucos dias, com as próprias forças e trabalho em equipe, foi construída uma nova casa bonita para Marina, sua mãe e seu pai.
Assim a pequena cidade encantadora aos poucos se transformou em uma grande cidade amigável chamada Boa Luz.