Em uma pequena cidade vivia uma família de gatinhos. Durante o dia brincavam no pátio e à noite liam livros.
Certa vez, folheando livrinhos, viram uma figura inusitada. Nela estava desenhado um grande edifício redondo com o teto apontado para cima e a inscrição "Circo".
Os gatinhos leram aquele livro e observaram todas as figuras.
E pensaram:
Como seria legal se um circo viesse também para nossa cidade.
Enquanto isso não acontecia, eles mesmos se divertiam, imaginando que eram palhaços. Todos os espectadores costumam rir quando os palhaços caem. Então eles colocavam casca de banana sob seus pés, escorregavam nela e caíam rindo.
Colocavam uma escova ou esfregão debaixo da porta, e quando ela se abria, tudo caía e fazia rir quem entrava no cômodo. Vestiam o chapéu do pai ou o boné da mãe e, como os acessórios eram grandes demais, constantemente caíam sobre seus olhos, cobrindo-os, e todos riam. Os gatinhos até disseram aos pais que queriam ser circenses.
E o pai respondeu:
Antes de se tornar circense, é preciso estudar detalhadamente o assunto, ver livros, ler manuais sobre a arte circense. E ainda precisa treinar muito, muito mesmo.
Depois dessa conversa, passou mais algum tempo. E certa vez, passeando com os pais no parque, os gatinhos ouviram música vindo de algum lugar atrás da floresta. Todos juntos seguiram o som. E, ó milagre!
No terreno do parque, em um grande claro, havia uma tenda semelhante àquela que viram nas figuras do livro sobre circo. E bem na frente deles pendia um colorido cartaz anunciando o próximo espetáculo circense.
Uau! Mas isso é um circo!
Gritaram os gatinhos.
Hurra! O circo chegou!
Mamãe, papai, queremos ir ao circo!
Esperem.
Disse a mamãe Gata.
Primeiro precisamos comprar ingressos. E olha só a bilheteria! Vejam que fila grande tem aqui. Tenham paciência.
A fila avançava rapidamente. E logo a família de gatos se aproximou da tão esperada janela.
Peguem os ingressos.
Disse a Pega-bilheteira.
Neles está indicada a fileira e o lugar.
A família felina se dirigiu à tenda colorida. Havia muitos espectadores dentro dela. Todos os que queriam ver o espetáculo se acomodaram em seus lugares. A luz nas arquibancadas apagou, iluminando apenas o palco, que no circo é chamado de "pista". Tocou a música especial do circo, a plateia silenciou e o espetáculo começou.
O primeiro a entrar na pista foi o apresentador — o mestre de cerimônias. Ele saudou o público e anunciou a apresentação do primeiro artista. Era um Elefante.
Ele dançava em um pedestal colorido brilhante. Era surpreendente que um animal tão enorme pudesse dançar com tanta graça, e ainda por cima em uma área tão pequena quanto a superfície do pedestal.
Terminando a dança, o Elefante fez uma reverência, levantou a tromba e tocou-a como se fosse uma trombeta. Todos os espectadores aplaudiram muito alto.
No lugar do gracioso Elefante saiu um espetacular Tigre — uma fera corajosa e destemida. E seu número era muito difícil, corajoso e sério. O Tigre pulava através de um aro de fogo, todos na plateia ficaram assustados, mas o Tigre não tinha medo de nada. Ele executou seu número com dignidade e recebeu por isso uma ovação ensurdecedora.
E então entraram na pista palhaços divertidos. Eles faziam cambalhotas, tropeçavam, se molhavam com água, caíam… e faziam tudo de forma tão desajeitada e engraçada que todas as arquibancadas com espectadores tremiam de riso.
Após os palhaços, entraram na pista do circo duas Raposas. Elegantes e bonitas, caminhavam graciosamente por uma corda fina bem esticada, ajudando-se com leques para manter o equilíbrio. Depois subiram até o topo da cúpula do circo em uma barra aérea. E a plateia ficou presa de admiração e medo.
As Raposas balançavam na barra com facilidade e descontração, como em um balanço. Como se não percebessem que estavam não em um parque infantil, mas bem alto acima do chão. De longe parecia que fazer isso era muito fácil. Mas esse número não é apenas bonito, é perigoso. E para se apresentar com tanta maestria, é preciso treinar muito.
As ginastas aéreas Raposas fizeram uma reverência e todos bateram palmas, expressando assim sua admiração pelo número e talento delas.
Depois se apresentaram cavalos, camelos, zebras e lhamas. Seu número conjunto impressionou pela complexidade dos movimentos, pela forma como dançavam, galopavam e caminhavam pela pista. Foi muito bonito e gracioso.
O próximo a entrar na pista do circo foi um mágico. Oh, o que ele fazia! Colocava lenços individuais em um baú e tirava deles lenços amarrados com nós fortes. Inflava um balão branco e no lugar dele aparecia uma pomba branca.
Ele colocava um macaquinho em um saco e tirava bananas. O mágico colocava fitas coloridas em um tubo metálico e tirava de lá um espanador colorido. A plateia estava em êxtase. E com aplausos prolongados não queria deixar o mágico sair dos bastidores, pedia continuação.
No lugar do talentoso mágico saíram os habitantes marinhos. A foca jogava com uma bola e recebia um peixe como recompensa. E ainda batia as nadadeiras como se fossem mãos e também recebia um petisco. O crocodilo clicava os dentes e batia a cauda, imitando a execução de instrumentos musicais de percussão.
Os gatinhos, como enfeitiçados, observavam o espetáculo.
Mas eis que o apresentador entrou novamente na pista, chamou todos os artistas para a reverência final e anunciou que o espetáculo havia terminado. O público aplaudiu de pé. E após aplausos prolongados e ensurdecedores, começou a sair, deixando com pesar a aconchegante tenda do circo.
A família felina também se dirigiu para casa. No caminho discutiam o que viram, expressavam sua admiração e encanto pelas habilidades e talentos dos artistas que se apresentaram.
Os gatinhos jantaram e foram dormir. E nesse mesmo momento os pequenos animais-artistas também tomavam seu jantar após o espetáculo realizado.
Cavalos e zebras mastigavam cenoura saborosa e feno aromático. O Elefante se deliciava com frutas suculentas, o Tigre com carne fresca, as focas devoravam pequenos peixes marinhos e os macaquinhos descascavam um após o outro bananas doces. Eles trabalharam bem hoje e o apetite dos colegas também era excelente. Saciados, os artistas também queriam dormir.
O Tigre rugiu e fechou os olhos.
Bons sonhos, respeitável Tigre!
O Elefante novamente tocou sua tromba como uma trombeta e se preparou para dormir.
Boa noite, senhor Elefante!
A foca fazia seus últimos truques, treinando em seu cômodo, mas as forças a abandonavam e ela começava a adormecer.
Doces sonhos, Foca!
As Raposas bocejam, esfregam os olhinhos com as patas e também vão dormir.
Bons sonhos, Raposas!
Bem, pronto. Agora todos dormem, tanto os animais quanto os gatinhos. Todos tiveram um dia intenso e alegre, que se transformava suavemente em noite. Agora chegou a noite. E amanhã o sol nascerá, virá a manhã e haverá um novo dia e novas impressões.
Leiam contos de fadas e o circo com artistas que vos encantarão com números incríveis também chegará até vocês.