Em uma cidade vivia um menino chamado Kolya. Ele morava com sua mãe e pai em um pequeno apartamento aconchegante. Kolya ia à escola, praticava futebol e adorava animais. No caminho para a escola, ele sempre comprava um pedaço de linguiça e alimentava um gatinho que vivia na rua perto da casa de Kolya.
Kolya era um bom aluno e tinha muitos amigos. O menino sempre ajudava seus pais. Às vezes, ele mesmo, sem ajuda da mãe, preparava o jantar e punha a mesa. Kolya podia consertar uma cadeira sozinho e ajudava seu pai a manter o carro em bom estado.
Mas o menino tinha uma peculiaridade — ele não acreditava em nada e era muito desconfiado.
Todos os professores diziam em uníssono: "Este Kolya nos deixará loucos! Ele está sempre discutindo conosco e não acredita em nada!".
E quando o assunto era magia, Kolya começava a rir tão alto que todos ao redor se viravam.
O menino travesso tinha 100% de certeza de que não existiam tais milagres, que tudo isso era invenção para crianças pequenas e tolas, e que ele já era grande e inteligente.
Uma manhã, a caminho da escola, Kolya, como de costume, entrou em uma loja e comprou salsichas para seu amigo peludo. Mas desta vez o gatinho não encontrou Kolya como fazia normalmente. O menino imediatamente desconfiou que algo estava errado. Ele examinou cuidadosamente tudo ao redor da casa, mas o gatinho não estava em lugar nenhum.
De repente, Kolya ouviu um som estranho. Era o gatinho miando ao longe. Ouvindo atentamente, o menino seguiu o som e em poucos minutos viu seu pequeno amigo embaixo de um banco.
O gatinho tinha a pata ferida e nem conseguia se levantar.
Kolya o pegou nos braços, apertou contra o ombro e disse:
Bem, como você conseguiu se ferir? Você ainda é tão pequeno e precisa ser mais cuidadoso!
O gatinho, como se entendesse o que Kolya dizia, começou a ronronar alto.
Kolya tirou as salsichas de sua mochila e começou a alimentar seu amigo. Passado um tempo, Kolya se apressou para a escola.
Ele não podia se atrasar, pois hoje havia uma nova aula de geografia e o menino simplesmente tinha que não acreditar em algo e discutir com o professor.
Mas o que fazer com o gatinho? Kolya decidiu deixá-lo aqui e levar o gatinho ao veterinário no caminho de volta. Deixaria que tratassem sua pata.
A aula começou. O professor falava sobre alguma descoberta geográfica, mas o gatinho ferido não saía da cabeça de Kolya. Ele pensava que o pobre gatinho estava lá sozinho e ninguém podia ajudá-lo. O menino ficou tão cansado de se preocupar que adormeceu sem perceber.
Kolya, acorda!
De repente ouviu o menino, e abriu os olhos. Diante dele havia um homem vestido de branco. Ele tinha uma barba grisalha, grandes olhos bondosos, e no peito pendia um lindo pingente incomum.
Quem é você?
Perguntou o menino desconfiadamente.
Sou aquele que vai te ajudar! Mas você precisa acreditar em mim.
Respondeu o homem misterioso.
Acreditar? Por quê? E afinal, do que você está falando?
Continuou Kolya, examinando o homem com desconfiança.
Eu sei no que você está pensando! Você está preocupado com o gatinho com a pata ferida, que agora está sozinho embaixo de um banco.
Respondeu o homem.
Como você sabe disso? Eu não contei para ninguém!
Kolya ficou genuinamente surpreso.
Isto é — magia.
Disse o homem calmamente.
Ha-ha-ha! Magia! Acharam quem contar! Magia não existe, tudo isso são histórias para crianças pequenas. E eu já sou grande e não acredito em nada disso.
Você pode não acreditar. Mas sua desconfiança não vai melhorar as coisas para ninguém, e muito menos para o gatinho. Agora vou te dizer palavras mágicas que você deve pronunciar em voz alta três vezes: "Magia existe, magia existe, magia existe". Quando pronunciar essas palavras, pense no que você mais gostaria neste momento.
Tocou a campainha e Kolya acordou. Parecia que tudo tinha sido um sonho. Kolya colocou o livro e o caderno na mochila, e a próxima aula era matemática.
O menino entrou na sala e sentou-se em seu lugar. Mas as palavras do homem que havia sonhado não saíam de sua cabeça. E ele continuava pensando no gatinho que precisava de ajuda. Então Kolya decidiu acreditar em milagres, pelo menos por um momento.
Magia existe, magia existe, magia existe!
Pronunciou o menino em voz alta.
A sala estava barulhenta, então ninguém ouviu essas palavras. Kolya se preocupava que seus colegas e o professor pensassem que ele acreditava em milagres e começassem a zombar dele.
As aulas terminaram e Kolya correu para seu amigo peludo. Chegando ao banco onde o gatinho estava deitado, o menino não acreditou em seus olhos.
Em vez do pequeno amigo ferido, havia um pingente — aquele mesmo que o homem de barba grisalha usava no peito.
E de repente, o menino ouviu atrás de si: "Miau!".
Kolya se virou rapidamente e viu o gatinho. Sua pata estava inteira e o gatinho pulava ao redor do menino sem nem coxear.
Magia existe!
Sussurrou Kolya e sorriu.