Num claro dia de outono, quando o sol brilhava forte, um menino foi à floresta procurar cogumelos. Ele andou por muito tempo entre as árvores, procurou cogumelos nas clareiras e encheu sua cesta. Mas não percebeu que tinha se afastado muito, muito longe do caminho da floresta.
Ô de casa! Ô de casa!
O menino gritava com toda a força, mas ninguém o ouvia.
Apenas o eco respondia:
Casa! Casa!
O menino sentou-se num toco de árvore, chorou amargamente e pensou que não sabia como encontraria o caminho de casa, como sairia daquela parte desconhecida da floresta. De repente, como se tivesse saído de baixo da terra, um homenzinho apareceu diante dele. De baixa estatura, vestindo uma camisa branca, com um cinto de casca de bétula e um largo chapéu de palha, ele observava com interesse o menino chorando. Era um verdadeiro guardião da floresta, que protege a mata, cuida das árvores e arbustos.
Não chore, menino. Eu sou um morador da floresta, vou ajudá-lo e mostrar como sair para o caminho. Mas você precisa cumprir uma condição minha.
Diga o que devo fazer, estou pronto!
Disse o menino.
Você precisa fazer três boas ações. Assim que cumprir minha condição, me chame imediatamente.
Respondeu o guardião da floresta.
O menino ficou surpreso:
Só isso? Está bem! Mas não vá muito longe, volto num instante.
Antes que o menino pudesse olhar ao redor, o guardião da floresta desapareceu, tão repentinamente quanto havia aparecido. Ele pulou do lugar e rapidamente seguiu pela trilha para cumprir a condição do visitante inesperado.
No caminho, encontrou um cervinho que estava preso nos galhos de um arbusto denso.
Por favor, me ajude, menino! Estou bem preso e não consigo sair sozinho.
Não tenho tempo para você, estou com pressa. Preciso fazer uma boa ação o mais rápido possível. Até logo, cervinho!
Disse o menino.
O menino continuou pela trilha e viu um filhote de pássaro que havia caído do ninho, piando tristemente, enquanto seus pais voavam em círculos acima dele sem saber o que fazer.
Por favor, nos ajude, querido menino! Coloque o filhote de volta no ninho…
Não posso, estou com pressa para fazer boas ações.
O menino não quis ajudar os pássaros.
Seguindo pela trilha da floresta, o menino encontrou um ouriço que, no caminho para casa, havia perdido todos os cogumelos e frutas silvestres.
Menino, me ajude a colocar os cogumelos e frutas nos meus espinhos. Andei muito e me cansei, por isso não consegui segurar tudo que havia coletado.
Pediu ele.
Desculpe, ouriço, não posso ajudá-lo, estou com muita pressa! Estou procurando boas ações para fazer. Você terá que se virar sozinho…
E seguiu em frente, não quis ajudar o ouriço.
Depois de andar alguns metros, o menino viu o guardião da floresta sentado num toco velho. O protetor da natureza perguntou:
O que está acontecendo? Será que você não conseguiu fazer nenhuma boa ação? Ninguém precisou da sua ajuda ou esperteza?
E o menino respondeu:
Entende, guardião da floresta, o problema é que… Eu estava com muita pressa para cumprir sua condição, mas fui constantemente interrompido, não consegui fazer boas ações. Acontece que não é tão fácil encontrá-las. E onde? Só tem floresta e árvores por aqui.
Onde encontrar, você pergunta? E por que você não ajudou os pássaros, não tirou o cervinho dos arbustos, não ajudou o ouriço a coletar cogumelos e frutas? Isso não é ajuda? Afinal, boas ações não são feitos heroicos, mas sim ajudar quem realmente precisa.
O menino ficou em silêncio, pensou por um momento, deu meia-volta e correu de volta na direção de onde tinha vindo. Na trilha, encontrou o ouriço e o ajudou a espetar a colheita em seus espinhos, colocou o pequeno filhote de volta no ninho, para a alegria dos pais preocupados, ajudou o cervinho a se livrar dos arbustos densos.
Depois disso, o morador da floresta apareceu novamente diante do menino, entregou-lhe a cesta com os cogumelos coletados e o ajudou a sair da mata fechada.
O menino voltou para casa e não contou a ninguém o que havia acontecido, mas nunca mais procurou boas ações, e sim procurou ajudar todos que precisavam de sua ajuda.