Em uma pequena aldeia, bem na sua beira, havia uma casa incomum. Ela se destacava muito entre todos os outros edifícios da região. As pessoas vinham até mesmo apenas para olhá-la.
A casa lembrava um verdadeiro palácio de conto de fadas. Era pequena, com janelas redondas emolduradas por caixilhos esculpidos como renda, o telhado parecia um grande bolo de mel, e as paredes eram pintadas em um delicado tom rosa.
Ao redor da casa havia muitas flores e árvores floridas, havia até um lago onde nadavam dois cisnes brancos e magníficos. Tudo naquela casa era extraordinário.
E ninguém suspeitava que ali vivia uma família de magos. Mãe, pai, avó e a menina Milana, que justamente hoje estava fazendo aniversário — ela estava completando dezesseis anos.
Por essa ocasião solene, a casa foi preparada para uma grande celebração, pois a menina já havia atingido a idade em que poderia começar a aprender os segredos da magia.
Quando a festa estava chegando ao fim e os convidados começaram a partir, a avó chamou Milana:
Você sabe, minha querida, que não somos como a maioria das pessoas. Temos um poder chamado magia. E devemos usar esse poder apenas para fazer boas ações. Há muitos anos ajudamos as pessoas quando vemos que não conseguem se virar sozinhas.
Para começar a aprender todos os segredos, vou te dar três fitas com as quais você poderá realizar três boas ações. Mas lembre-se: se você tentar usar seu poder para algo ruim, as fitas se transformarão em simples galhos e perderão suas propriedades mágicas.
Continuou a avó seu discurso.
Milana pegou as fitas mágicas da avó, que eram azuis, verdes e laranja, e foi dormir.
Pela manhã, quando o dia já havia amanhecido, Milana saiu pelos portões da casa e decidiu passear pela aldeia. Era sábado, então deveria haver muitas pessoas nas ruas.
A menina não conseguia pensar em como usar o poder mágico das fitas. Milana caminhou por uma rua, depois por outra. Em todos os lugares, as pessoas estavam ocupadas com seus próprios afazeres e ninguém prestava atenção nela.
Milana encontrou uma velha senhora carregando sacolas pesadas e ofereceu sua ajuda. A senhora agradeceu muito, mas disse que já estava chegando em casa. Assim, a menina caminhou até o meio-dia e ficou um pouco cansada.
Milana chegou a umas ruínas antigas que havia muito tempo tinham sido abandonadas e onde apenas crianças brincavam em jogos perigosos. Os edifícios abandonados ficavam quase no centro da aldeia e entristeciam a vida da maioria das pessoas que moravam naquela rua.
Naquele momento, vozes de crianças vinham de lá. Alguns meninos estavam brincando.
Milana se aproximou das velhas vigas e viu um dos meninos:
Por que vocês estão brincando aqui? Não têm nada melhor para fazer? É perigoso! A qualquer momento algo pode cair e machucar vocês!
Disse Milana.
Ao ver a menina, todos os meninos correram para ela e gritaram que não tinham para onde ir, pois não havia nenhum parque infantil ou parque na aldeia.
Então a menina se lembrou de suas fitas mágicas e pensou em como usá-las.
Milana pediu aos meninos que fossem para casa almoçar e voltassem à noite. Ela jogou a fita laranja no chão e, num piscar de olhos, todas as velhas construções desapareceram. No lugar delas surgiram canteiros bem cuidados e caminhos com bancos.
A menina jogou a fita verde e, no lugar da antiga escavação, apareceu um pequeno lago com um salgueiro ao redor e patos nadando na água.
Finalmente, restava a última fita azul, da qual surgiu um parque infantil inteiro com tudo que se possa imaginar: balanços, escorregadores, várias escadas, carrosséis.
Quando os meninos chegaram à noite, não acreditaram no que viram. Como era lindo! Até os adultos vieram com alegria para ver o pequeno parque que havia aparecido do nada.
E Milana ficou muito feliz por ter conseguido trazer tanta alegria às pessoas com seus bons atos.