Essa história bonita aconteceu em um jardim escolar comum na primavera. Nos dias quentes de maio, os alunos foram em multidão para seu jardim para plantar mais uma árvore.
Neste parque já cresciam carvalho, bordo, pinheiro, abeto, bétula, sorveira, álamo, salgueiro, lilás e álamo tremedor. E os meninos e meninas decidiram que em seu lindo e bem cuidado jardim faltava apenas uma macieira. A muda era alta e parecia forte.
As crianças plantaram a maçãzinha perto da borda, onde cresciam carvalho, bordo e sorveira ao seu lado. E assim que as pessoas saíram do parque, as árvores ganhavam vida e conversavam.
Olhem só que maravilha! Quem é você?
Perguntou com invejável interesse o belo Carvalho.
Oi, mas o que pode haver de interessante nela!? Mais uma árvore "cinzenta" que não conseguirá decorar nosso jardim melhor do que eu!
Disse com claro descontentamento a Sorveira.
Mas ainda assim, quem é você?
Insistiu o Carvalho.
Sou uma macieira.
Sussurrou a muda.
Bem, Macieira é algo bom!
Concluiu o Carvalho, que aparentemente era o mais velho deste jardim.
E com o quê você nos surpreenderá, querida Macieira? Talvez você tenha o aroma da nossa Lilás, ou floresça lindamente como nosso Salgueiro, ou talvez você tenha cachos de bagas vermelhas como nossa incomparável Sorveira?
Hm, que coisa!
Apressou-se em responder a Sorveira a tal comparação ofensiva.
A maçãzinha apenas baixou seus galhos finos e nus para o chão de vergonha.
Não sei.
Respondeu quase inaudível. Era tão incomum para ela receber tanta atenção de todas as árvores ao redor. E realmente não sabia nada sobre si mesma. Como floresceria, quais seriam suas folhas e se haveria frutos. E ao redor havia tantas árvores bonitas e incomuns! Especialmente aquele belo Carvalho a conquistou - elegante, forte e muito bonito.
Veremos com o tempo.
Apenas disse o Carvalho. As árvores trocaram olhares com claro desapontamento, pois aparentemente queriam ver algo especial em seu jardim, para que a cada vez houvesse mais visitantes. Afinal, é tão agradável ver olhares entusiasmados ao seu redor!
O tempo passava... O verão deu lugar ao outono fresco. O inverno veio logo depois, cobrindo todas as árvores com seu cobertor morno e branco como a neve. E eis que a primavera voltou e as árvores começaram a acordar do sono. A ganhar cor, força e fragrância.
E apenas a Macieira permanecia quase inalterada. Nela apareciam raramente brotos. Deles cresciam folhas comuns, nada notáveis. Não havia flores nem frutos nela. Cada vez mais ela notava como as árvores vizinhas a olhavam. Para alguns era claro desapontamento, para outros indiferença, e para outros ainda aversão.
Apenas o Carvalho não mostrava seus sentimentos negativos. E a cada dia a Maçãzinha entendia que gostava cada vez mais dele. Tão forte, guerreiro, majestoso.
No final do verão, sua copa poderia ser invejada por qualquer árvore ao redor. As crianças frequentemente corriam para o parque justamente para ele, para se esconder dos raios abrasadores do sol ou das gotas de chuva.
Mas havia também outra árvore no jardim que poderia ser chamada de "joia" do jardim. Era a Sorveira. Bonita, esbelta, brilhante e incrivelmente ousada. Ninguém podia oferecer seu amor a ela, pois considerava todos indignos de sua atenção, exceto o belo Carvalho, a quem amava. E o Carvalho, às vezes, involuntariamente olhava para a bela. E como não olhar!
Quando chegava o outono, nenhuma árvore no jardim podia competir com sua beleza. Folhas brilhantemente laranja e vermelhas, nas quais ardiam cachos igualmente brilhantes de bagas. E tal beleza acompanhava a Sorveira até o próprio inverno.
Mesmo sob o manto branco de neve, as bagas suculentas avermelhavam. Com a chegada do outono e até o inverno profundo, apenas a Sorveira não era negligenciada pela atenção. Primeiro crianças e adultos vinham vê-la, depois seus galhos não tinham paz dos bando de pássaros inquietos.
E apenas a Maçãzinha observava todas as metamorfoses das árvores de longe. Ela não tinha nada a responder ou mostrar. E parecia a ela que seria assim para sempre.
Mas uma vez, já no final do outono, quando não havia uma única folha em nenhuma árvore do jardim, a Macieira foi abordada pelos mesmos alunos que a plantaram, acompanhados pela professora. Eles olhavam para a árvore com indignação e tristeza.
Que pena, mas parece que nossa macieira dificilmente sobreviverá a este inverno. Ela é tão fraca e não se adapta bem ao novo lugar.
Disse a professora.
E o que acontecerá com ela se não sobreviver ao frio?
Perguntou um menino curioso e compassivo, acariciando a Macieira no galho.
Então teremos que desenterrá-la e plantar outra.
Respondeu a professora e levou todos os alunos de volta para a escola.
Perto da Macieira ficou apenas aquele menino que, de certa forma, sentiu toda a dor que essa árvore frágil experimentou ao ouvir as palavras da professora. Ele abraçou a Macieira pelo tronco e lhe disse quietamente:
Por favor, não congele este inverno. Acredito que você ainda florescerá e crescerá em nosso jardim por muito tempo. Até a primavera!
Antes de cair em um profundo sono de inverno, a Maçãzinha rogava e pedia ao inverno que tivesse piedade dela. E o inverno, ouvindo seu pedido, ajudou, cobrindo a árvore com um cobertor de plumas espesso, salvando assim a Macieira do frio rigoroso.
A Macieira sonhava um sonho lindo: como se estivesse toda branca, como se coberta de neve, mas a neve nela não derretia, embora já fosse primavera e bem quente. E ao seu redor reinava um espanto silencioso e admiração.
Ao acordar, a Macieira entendeu que não era um sonho, mas realidade. Ela realmente estava toda branca. Mas não era neve, mas flores brancas como a neve que envolviam seus galhos frágeis com a bela flor de maçã. E que aroma emanava dessas flores!
Tudo ao redor exalava fragrância. As árvores vizinhas se apresentaram à Macieira em total perplexidade. No outono anterior ela mal vivia, mas eis que chegou a primavera e a árvore parecia ter sido trocada. Todos admiravam a beleza extraordinária da macieira. Todos, exceto a Sorveira. Ela não conseguia perdoar que alguém conseguisse superar sua beleza.
Tudo bem, em breve chegará minha vez. Chegará o outono e então veremos quem de nós é mais bonito.
Repetia a Sorveira toda vez que ouvia comentários entusiasmados sobre a Macieira.
E a Maçãzinha apenas floresceu e a cada elogio permanecia modestamente em silêncio. E aos olhares entusiasmados do belo Carvalho, ela timidamente se cobria com galhos, o que o deixava cada vez mais encantado.
Passou um verão quente e finalmente chegou o tão esperado outono. Todas as árvores começaram a trocar seus trajes verdes por ouro e carmesim. E a Maçãzinha não era exceção. Suas folhas não se destacavam pela originalidade da cor.
O que deixava sua rival Sorveira muito satisfeita. Era a época da Sorveira! Ela abriu suas folhas vermelho-alaranjadas e, como leques, cachos brilhantes de bagas. Seu traje desafiava a Macieira e atraía o belo Carvalho. Ninguém era igual à Sorveira em brilho de traje.
Naquele claro dia de outono, muitas pessoas vieram ao jardim. Adultos e crianças passeavam pelo jardim e admiravam as árvores de outono. E de repente, aquele mesmo menino que uma vez abraçou a Maçãzinha correu para ela e gritou para seus amigos:
Pessoal, olhem, nossa macieira tem maçãs maduras!
Todas as crianças correram para a Maçãzinha para ver essa maravilha com seus próprios olhos. E de fato, nas folhas amarelo-esverdeadas havia apetitosas maçãs vermelhas. As crianças estenderam as mãos para os galhos da Macieira, e cada uma colheu uma maçã.
No instante seguinte, os meninos e meninas comiam com apetite. As maçãs eram tão suculentas e doces que o suco escorria pelo queixo de cada criança. Eles degustavam os frutos da macieira com entusiasmo, incapazes de parar.
Vendo isso, a Sorveira ficou ainda mais vermelha, agora de raiva e inveja, porque a Macieira conseguiu novamente atrair toda a atenção. De indignação, ela decidiu provar a todos que também tinha bagas suculentas e bonitas, e derrubou de seu galho um cacho vermelho de bagas. Um menino que passava parou, olhando para o cacho caído.
Uau!
Exclamou o menino e pegou as bagas brilhantes. A Sorveira, enquanto isso, sorriu satisfeita e seu orgulho voltou. O menino então arrancou uma das bagas e a colocou alegremente na boca. E então seu rosto se contorceu em uma careta de repugnância.
Eca, que amarga!
Gritou e cuspiu os restos da baga mastigada no chão.
Essas bagas são para pássaros.
Concluiu o menino perspicaz e correu saltitando de volta para a já amada Macieira para mais maçãs.
Quando a Sorveira ficou completamente sozinha, sem a atenção a que estava acostumada, foi então que entendeu o que a Macieira sentiu todo esse tempo, quando era inútil e desinteressante, e apenas suspirou silenciosamente.
E a Maçãzinha foi cercada por crianças até o final do outono, querendo saborear seus frutos deliciosos e doces. E as árvores ao redor a olhavam agora com respeito e admiração. E o belo Carvalho fazia tudo para atrair a atenção e agradar à nova beleza do jardim.
Ele se elogiava e demonstrava sua força poderosa, mas não conseguiu interessar a delicada Maçãzinha. Porque ela já estava infinitamente apaixonada pelo jovem e esbelto Bordo. O Bordo há muito tempo conquistara o coração da jovem beleza.
Neste inverno, eles mergulharam no sono com ternura, entrelaçando seus galhos um ao outro.