A Fila!
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A Fila!

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Um conto instrutivo sobre animais e engano, sobre credulidade e ingenuidade, quando na busca por promessas bonitas esquece-se o bom senso, após o que vem a amarga decepção!

Longe das luzes brilhantes da cidade, do barulho de buzinas e rangido de freios dos carros que passam, do tilintar dos bondes e dos trens elétricos correndo pelos trilhos, longe dos habitantes eternamente apressados, correndo, voando, andando, rastejando desta enorme área florestal, havia um lugar completamente diferente — completamente oposto a ele.

A saber: um pequeno povoado isolado com seus habitantes bondosos, calmos e confiantes. Estes moradores da floresta raramente saíam dos limites de seu local de residência, estavam perfeitamente satisfeitos com tudo o que tinham: escola da floresta, mercado na clareira, lago no lugar de banho, uma pequena lojinha no campo, onde frequentemente se encontravam e discutiam notícias locais e não locais.

Num dia quente e claro de verão, muitos animais e pássaros se dirigiram pela manhã à loja para comprar produtos para suas famílias e, por antigo costume, após as compras, sentaram-se nos bancos para descansar e conversar uns com os outros.

A Coelha compartilhava a receita de torta de repolho com sua amiga Cabra, o Castor contava à Lontra as novas tendências de construção de moradia em condições aquáticas, a Elefanta cochilava sentada no banco, aquecida pelos raios do sol quente e carinhoso...

Quando de repente, todo esse idílio foi interrompido pelo grito alto da Coruja. Era ela quem era o porta-voz de todas as notícias que aconteciam além dos limites desta pequena floresta.

E então? Sentados aí, conversando, entediados! Não viram nada além do próprio nariz e desta floresta, não conhecem nada melhor que esta loja e nunca estiveram em nenhum outro lugar?! Pois eu não fui preguiçosa, voei até a enorme floresta vizinha e vi lá uma maravilha das maravilhas: de beleza indescritível, tamanhos enormes, capacidade sem precedentes, um supermercado. Há nele uma quantidade incontável de mercadorias para todos os gostos, tamanhos e cheiros. Há também muitos visitantes e compradores lá, e há entretenimento... Não é um lugar, é um conto de fadas!

Os animais e pássaros olhavam fascinados para a Coruja e prestavam atenção a cada palavra dita por ela. E cada um deles em suas fantasias estava mentalmente nesta misteriosa loja de contos de fadas.

Depois de ouvir o discurso da Coruja até o fim, os habitantes da floresta, animados pelo sonho, decidiram certamente visitar o extraordinário centro comercial e de entretenimento. E, para não adiar por muito tempo o planejado, foi decidido realizar este sonho no próximo fim de semana.

E então, este dia chegou. Todos os interessados se reuniram na clareira da floresta para juntos fazer o longo caminho. Lá estavam: o Lobo, a Raposa, o Coelho, o Urso, o Ouriço, a Coruja, o Pica-pau e muitos outros habitantes da pequena área florestal.

A estrada seria longa, mas o objetivo estava definido — não havia obstáculos, os animais partiram. Por muito ou pouco tempo, e eis que, ao longe já apareceu o objeto desejado. A multidão acelerou o passo e após algum tempo todos juntos cruzaram a porta da loja sobre a qual a Coruja tanto e detalhadamente havia falado.

Oh, maravilha! As prateleiras transbordavam de iguarias e guloseimas, aromas variados faziam cócegas no nariz, e os rótulos coloridos atraíam tanto, como se dissessem: "compre-me, compre-me".

Por cerca de meia hora todos os habitantes da floresta vagaram entre as fileiras e admiraram a abundância e variedade do sortimento de produtos.

Sim-m-m, isto não é a nossa lojinha na floresta.

Disse a Coruja — arregalando de admiração seus olhos já enormes.

De repente, uma voz convidativa fez todos prestarem atenção e olharem ao redor. Na segunda fileira de balcões, do lado esquerdo, estava a bela Equidna em traje elegante com um microfone na mão, e com voz agradável e fluente convidava todos a visitar seu departamento. A multidão correu para este chamado, e até se formou uma fila inteira, mas ninguém sabia o que seria vendido lá.

E a Equidna continuava a anunciar:

Somente hoje, somente agora, somente conosco, vocês podem adquirir produtos que possuem qualidades mágicas. Somente com eles vocês sentirão em si mesmos o poder da magia que acontece com vocês após seu uso.

A fila só aumentava, até se esboçava uma pequena briga, sentia-se a pressão dos interessados de todos os lados. Foi preciso chamar os seguranças Toupeiras para acalmar a multidão e normalizar a situação, colocar tudo em ordem.

E a Equidna continuava:

Temos produto para beleza! Os jovens ficam ainda mais bonitos, e os adultos — mais jovens.

A Raposa ouviu isso e saiu da fila, decidindo que ela já era suficientemente jovem e bonita.

E aqui está o produto para fortalecer os dentes! Eles ficam fortes, resistentes, não se deterioram, apenas se fortalecem.

O Castor e a Lontra queriam comprar esta maravilha, mas depois, pensando bem, decidiram que em sua floresta havia produtos curativos e ecologicamente puros suficientes para manter a saúde, em particular, a força dos dentes, e também deixaram a fila, não sucumbindo às persuasões.

Somente o Urso continuava parado ouvindo a voz docemente fluente da Equidna, anunciando um novo produto:

Respeitável público! A todos que desejam emagrecer e melhorar o estado de seu pelo e cobertura da pele, recomendo este produto mágico e milagroso. Após sua aplicação, vocês sentirão leveza no corpo, o peso excessivo irá embora em poucos dias, sua pele ficará lisa e elástica, e o pelo adquirirá um belo brilho.

Ao ouvir estas profecias, o Urso entendeu que este produto era exatamente para ele. Era exatamente aquilo com que ele sonhava, pelo que almejava. Mas, sendo por sua essência preguiçoso, ele decidiu que em curto prazo alcançaria o resultado desejado, sem fazer nenhum esforço de sua parte.

O produto não era dos mais baratos, mas o desejo de realizar o sonho era enorme. O Urso desembolsou a quantia necessária (e estas eram todas as suas economias) e adquiriu o cobiçado produto.

Chegando em casa, ele começou a aplicá-lo com dedicação. Mas passavam-se dias, semanas, um mês, e não se viam mudanças. Decepcionado e chateado com a ausência do resultado prometido pela Equidna, o Urso compartilhou sua tristeza com a sábia Abelha, que neste momento coletava néctar curativo das flores aromáticas no gramado.

Pousando na próxima flor, a Abelha olhou atentamente para ele e, balançando a cabeça, disse:

Pedro, Pedro, tão grande, mas acredita em contos de fadas.

E, batendo as asinhas, voou para continuar trabalhando. E o Urso, tão enorme, desajeitado e confiante, ficou parado no lugar, pensativo, acompanhando a Abelha com o olhar.

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