Havia uma vez uma rapariga chamada Capricórnio. Mais do que tudo, ela amava flores: tinha um grande jardim de rosas cor-de-rosa, que cuidava com dedicação, e as rosas correspondiam ao seu carinho com o seu aroma delicado.
Certo dia, Capricórnio estava sentada na varanda da sua casa quando viu: uma enorme Baleia a voar pelo céu. Voava - via toda a terra: casas e pequenas florestas, campos, e também o jardim de Capricórnio.
«Que criatura gigantesca! — pensou Capricórnio — Ela é maior do que tudo o que já vi na minha vida. Deve ter um coração tão grande! E com um coração tão grande, certamente deve ser muito amigável. Vou conhecê-la melhor, vou perguntar-lhe sobre as suas viagens pelo ar. Tenho a certeza de que no seu coração imenso há lugar para uma pequena rapariga como eu.»
Mas a Baleia voava tão alto e tão longe que não ouviu os gritos de Capricórnio, nem a sua tentativa de a chamar para o seu jardim, nem o seu esforço em apresentar-lhe cada uma das suas rosas. A Baleia simplesmente continuou a voar.
Então Capricórnio ficou triste, mas decidiu que, custe o que custasse, conheceria e faria amizade com a Baleia. Mas não era apenas amizade que ela queria! A rapariga sonhava em tornar-se a Senhora do Coração da Baleia (e entre nós, ela tinha todas as hipóteses: a Baleia estava cansada da sua solidão e viajava à procura de uma esposa).
Capricórnio dirigiu-se à orla da floresta, à casa da Bruxa, para que lhe desse asas com as quais pudesse voar atrás da Baleia.
Cheou e pediu.
E a Bruxa respondeu-lhe:
Quero dar-te mais do que pedes: quero fazer-te tão grande e voadora como a Baleia. Mas para isso, tens de confiar em mim e obedecer-me em tudo.
Capricórnio ficou assustada: e se a bruxa a obrigasse a saltar de um penhasco ou a mergulhar de cabeça num abismo! Mas quando pensou que teria de viver toda a vida sabendo que a Baleia existia e vivendo sem ela, percebeu que a sua vida seria incompleta e miserável.
Capricórnio concordou. E a bruxa apenas agitou as mãos um par de vezes - e eis que Capricórnio se tornou grande, muito grande, até majestosa. E como voava pelo céu!
A bruxa apenas acenava com o seu lenço.
Capricórnio voa pelo céu, formando pequenas rosas nas nuvens para a sua filha, enquanto a Baleia tece uma flauta de relâmpago para o seu filho. Estão felizes juntos, é o que vos digo!