Um Coração Grande
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Um Coração Grande

Autor:
Um conto de fadas contemporâneo de autoria original para crianças do ensino fundamental sobre uma menina e uma cachorrinha corajosa, que nos mostra como frequentemente não percebemos os verdadeiros e fiéis amigos que estão ao nosso lado.

Mamãe, que tamanho tem meu coração? — perguntou Katya.

Mais ou menos do tamanho do seu punhozinho, — respondeu a mãe.

E o da Pulka?

Pulka — uma pequena poodle branca e fofinha, assim que ouviu seu nome, correu para Katya e abanou o rabo alegremente esperando brincar.

O da Pulka? — a mãe pensou um pouco. — O da Pulka é bem pequenino. Talvez do tamanho do seu polegar.

Para que serve o coração? — Katya continuou perguntando.

A mãe sorriu:

Ah, no coração guardamos muitas coisas maravilhosas. Por exemplo, coragem. O coração de uma pessoa corajosa é chamado de coração valente. Um coração bom é aquele de quem sempre ajuda os outros. Se alguém está disposto a compartilhar o último pedaço de pão, isso significa que em seu peito bate um coração generoso. Você sempre poderá ouvir o batida de um coração fiel se tiver um verdadeiro amigo.

E ainda mais, o amor pode viver no coração. Um coração amoroso pode ser valente, generoso, bom e leal. Sobre essas pessoas dizem: "Ele tem um coração grande".

Que interessante! — exclamou Katya e acariciou a cachorrinha, que estava ouvindo atentamente a conversa. — Que pena que nossa Pulka tenha um coração tão pequenino. Nele, com certeza, não cabem tantas coisas boas de uma vez.

Quem sabe, — respondeu a mãe misteriosamente e foi para a cozinha preparar o jantar.

Katya brincou um pouco com Pulka e depois decidiu terminar de ler um livro muito interessante sobre amigos fiéis. Ela se acomodou na poltrona perto da janela e começou a ler. O livro falava sobre amizade leal, sacrifício e disposição em sempre ajudar. Pulka sentou-se perto da poltrona e observava atentamente sua dona.

Aqui ela franze a testa, sentindo empatia pelos heróis em perigo, e ali seu rosto se ilumina com um sorriso alegre quando as dificuldades ficam para trás. Pulka estava desesperadamente curiosa sobre o que Katya lia com tanto entusiasmo.

A campainha da porta tocou. Era o papai chegando do trabalho. Katya colocou o livro de lado e correu para abrir a porta. Pulka quis descobrir como um livro poderia fazer alguém ficar triste ou feliz. Ela pulou na poltrona esperando desvendar o mistério e bateu com o rabo no vaso de flores que estava no peitoril da janela.

O vaso balançou e caiu no chão. Os fragmentos brilhantes se espalharam por toda a sala. Pulka ficou petrificada de horror. Katya, ouvindo o barulho, correu para o quarto, viu o vaso quebrado e se lançou sobre a cachorrinha:

Ah, sua desastrada! Espera só um pouco, vou te mostrar!

Pulka disparou em busca de salvação. Gemendo lamentavelmente, procurava um lugar para se esconder e viu a porta da entrada entreaberta, que o papai que havia acabado de chegar não havia trancado. Pulka se esgueirou pela abertura, rolou escada abaixo, correu para o pátio e saiu disparada sem olhar para trás.

Seu coração acelerava de medo, ela imaginava ouvir passos de perseguição. Parou, respirando com dificuldade, no canto distante do pátio perto dos contêineres de lixo. Olhou para trás: não havia perseguição. E então, de trás do contêiner, apareceu Ham — um enorme cão vadio que aterrorizava todos os animais de estimação. Atrás de suas costas despenteadas se escondiam Butch e Korzhik.

Os amigos de Ham não eram cães muito grandes, mas mesmo assim, perto deles, Pulka parecia muito pequena e indefesa. Ela recuou assustada, seu coração acelerou de medo. E de onde viria a coragem? Afinal, em um coração tão pequenino não havia espaço para bravura.

Então, então, — rosnou Ham, — a expulsaram?

Não, eu… eu fugi, — respondeu Pulka gaguejando.

Muito bem! — latiu Butch aprovadoramente. — Com esses donos só há problemas.

Mas foi culpa minha, — tentou se desculpar Pulka. — Minha dona sempre foi tão boa comigo…

O que você sabe sobre bondade? — interrompeu Ham bruscamente. — O importante é que todos tenham medo! Isso é divertido!

E dá fome, — acrescentou Korzhik, — porque podemos roubar comida dos fracos.

Pulka não respondeu nada e pensou que a bondade deve ser muito grande se não cabe nos corações nem mesmo de cães tão grandes como seus novos amigos. Que dizer então sobre um coraçãozinho do tamanho de um dedinho de uma menina pequena!

Enquanto isso, Ham observava atentamente a assustada Pulka. Finalmente, depois de cochichar algo com seus amigos, ele disse:

Tudo bem. Vamos te aceitar em nossa gangue. Você é pequena, conseguirá pegar comida em lugares onde não conseguimos passar. Mas cuidado: eu sou o chefe aqui! E se algo der errado, vou te partir ao meio! — Ham mostrou seus terríveis dentes amarelos.

Pulka não tinha escolha senão concordar, pois ficar sozinha era ainda mais assustador. O resto da noite a companhia despenteada passou como de costume. Primeiro, eles vigiavam os gatos locais perto do porão, e quando escureceu, se esgueiraram para o lixo atrás do supermercado e encontraram um pouco de comida.

Korzhik teve a sorte de encontrar salsichas bem comestíveis. Afastando-se um pouco, começou a comer seu jantar com gosto. Pulka adorava salsichas. O cheiro delicioso fez sua boca salivar. Ela pediu a Korzhik apenas um pequeno pedaço, mas ele apenas resmungava e se afastava.

Será que não há nem uma gota de generosidade em seu coração? — perguntou Pulka.

Generosidade? — respondeu Korzhik surpreso. — De jeito nenhum! Se eu deixar a generosidade entrar em meu coração, não sobrará espaço para a maldade e a astúcia, e então não conseguirei conseguir comida. Generosidade é para tolos!

«Não, a generosidade é boa para todos», — pensou Pulka, mas não disse nada.

Para dormir, a turma de vadios se acomodou atrás dos contêineres de lixo em caixas de papelão. Pulka ganhou uma caixa de chaleira. Era um pouco apertada, mas o papelão protegia bem dos ventos noturnos. Pulka olhou por muito tempo para a janela iluminada do quarto de Katya e pensou como era triste ter um coração pequeno.

Se tivesse um coração maior, pensava ela, poderia ter coragem e então conseguiria enfrentar a gangue do pátio e voltar para casa. "E se houvesse espaço também para generosidade", pensava, "poderia compartilhar comida com os sem-abrigo e eles não precisariam roubar". Mas o melhor seria colocar amor no coração, então a generosidade, a lealdade, a bondade e a coragem floresceriam naturalmente.

Pulka adormeceu apenas ao amanhecer. Sonhou com o vaso quebrado.

De manhã, assim que o sol dourou os telhados das casas, Katya correu para o pátio procurando por Pulka. Na noite anterior, ela procurou sua pequena amiga até escurecer, mas a mãe mandou ela ir para casa. Katya demorou muito para adormecer e até chorou um pouco, escondida sob o cobertor.

Ela estava muito preocupada com o que havia acontecido e se culpava por ter assustado tanto sua pequena estimação. Afinal, um vaso quebrado é apenas vidro frio, que nunca pode substituir o calor dos olhos amigos. Katya começou a explorar metodicamente o pátio.

Pulka! Pulka! — chamava ela, olhando embaixo de cada banco.

Finalmente, Katya se aproximou daqueles mesmos contêineres de lixo. Pulka, que havia adormecido apenas no amanhecer, dormia profundamente. Mas seus novos amigos estavam alertas.

Lá vem a dona, — sibilou Butch. — Vai levar a novinha, pode ter certeza.

Isso a gente ainda vê, — rosnou Ham em resposta.

Ainda vamos ver! — concordou prontamente Korzhik.

Os cães, mostrando os dentes, saltaram para a calçada. Ham assumiu uma postura de combate bem na frente de Katya, enquanto Butch e Korzhik se aproximavam rosnando pelos lados.

Saia daqui! — latiu Ham tão alto que Pulka acordou imediatamente.

Ela pulou da caixa e viu Katya cercada por cães furiosos. Sem hesitar um segundo, ela correu para sua dona. Derrubando Korzhik e empurrando Butch, Pulka se colocou entre Katya e Ham. Seus pelos se eriçaram, seus olhos brilhavam intensamente e sua cauda tremulava nervosamente.

Não ouse tocar em minha dona! — gritou Pulka desesperadamente.

Ham olhou nos seus olhos e viu uma força desconhecida, inabalável e invencível. Seu ardor de combate desapareceu de repente, e seu coração foi apertado pela garra fria do medo. Ele de repente desabou, se virou desajeitadamente e, com a cabeça baixa, correu com um trote irregular para o canto distante.

Butch e Korzhik, surpresos, apressaram-se em segui-lo. Pulka se virou para Katya e abanou o rabo incertamente.

Katya agarrou o pequeno bolo morno e fofinho e o apertou contra o peito, deixando cair no pelo branco como neve lágrimas brilhantes ao sol da manhã. Lá dentro, ela ouviu, rápido, rápido, batendo um pequeno martelo elástico, e compreendeu que era um CORAÇÃO GRANDE que batia.

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