Na floresta maravilhosa, desconhecida para nós, os animais viviam – sem tristeza, amigos entre si, ajudavam-se mutuamente, não abandonavam um ao outro na dificuldade. Aconteça o que aconteça – todos aparecem na hora, correndo em auxílio um do outro.
Mas eis que naquela floresta maravilhosa vivia uma raposa: com um focinho lindo, cauda não inferior à de um pavão, mas com uma língua terrivelmente comprida – verdade ou mentira – ela tecia quantas histórias quisesse! Mente e não fica envergonhada, apenas sua pelagem fica mais vermelha. E que preguiçosa! Não é que ajudasse alguém – até se alimentar lhe dá preguiça. Nunca arruma sua cabana, passeia pela floresta cantando, como se fosse uma inteligente e uma beleza.
Mas os animais da floresta maravilhosa não têm tempo para cantar: ora preparam lenha para o inverno, ora acendem as fornalhas, ora consertam suas cabanas. O inverno está chegando.
E a raposa linda ficou tão preguiçosa que sua cabana desabou, aranhas se instalaram nos cantos, ratos se multiplicaram na adega. A raposa astuta pensou, refletiu, amarrou um lenço em sua pata, sentou-se na soleira da cabana e começou a chorar com lágrimas amargas:
Ai, pobre raposa! Corria pela trilha, caí em um buraco, quebrei a pata!
Passa pelo lado da cabana dela um lobo – lobo cinzento. Ouve a raposa chorando, derramando lágrimas amargas. Aproxima-se e pergunta:

Olá, raposa, beleza de toda a floresta, por que choras assim, assustando os animais da floresta?
Ai, lobo cinzento, corria pela trilha, caí em um buraco, quebrei a pata! A garganta secou, tenho sede, mas não há ninguém para trazer água. Vou morrer de calor!
O lobo coçou a orelha com a pata e disse à raposa:
Você, raposa, não chore, me dê os baldes, vou trazer água para você, terá o suficiente para beber e comer! Vou ajudá-la!
A raposa astuta acenou com a pata, mostrou ao lobo onde pegar os baldes, e começou a observar como o lobo trazia água do poço, enquanto ela descansava.
Passa pela cabana dela um urso, cambaleando de uma pata para a outra. E a raposa chora, derramando lágrimas amargas. O urso aproxima-se e pergunta:

Olá, raposa, beleza de toda a floresta, por que choras aqui, assustando o povo da floresta?
Ai, urso, como não chorar? Corria pela trilha, caí em um buraco, quebrei a pata! O inverno logo começará, vou morrer de frio! Não consigo cortar lenha, não consigo acender a fornalha! Ai, pobre de mim, infeliz!..
O urso coçou a orelha com a pata e disse à raposa:
Você, raposa, não chore! Me dê o machado, vou preparar lenha para o inverno, não vou deixar você morrer!
A raposa astuta acenou com a pata, mostrou onde pegar o machado, e começou a observar como o urso balançava o machado, preparando lenha para o inverno para ela, enquanto ela descansava.
Passa correndo pela cabana dela uma lebre, pulando e brincando. E a raposa chora com lágrimas amargas. A lebre pula mais perto da raposa, move as orelhas e pergunta:

Olá, raposa, beleza de toda a floresta, por que choras aqui, assustando o povo da floresta?
Ai, minha lebre de olhos de lado, de patas compridas! Como não chorar? Corria pela trilha, caí em um buraco, quebrei a pata! Não consigo nem sentar nem ficar de pé! Não consigo preparar nada nem arrumar nada! Vou morrer de fome. Na cabana, tudo bem, – é uma bagunça, mas sem comida – impossível! Ai, pobre de mim, infeliz!..
A lebre moveu as orelhas e disse à raposa:
Você, raposa, não chore! Me dê a panela e a vassoura! Agora vou arrumar tudo e preparar comida para você! Não vou deixar você morrer!
A raposa astuta acenou com a pata em direção à sua cabana, mostrou para onde ir, e começou a observar como o trabalho fervilhava em sua cabana: o urso balançava o machado, apenas lascas voavam, o lobo trazia água, pedindo passagem, a lebre balançava a vassoura – arrumando tudo, acendeu a fornalha, agora vai preparar comida.
E a raposa ficou tão feliz que tirou o lenço de sua pata não quebrada e começou a dançar! Balançava o lenço, movia a cauda, fechava os olhos de prazer, tão astuta e inteligente que era, enganou a todos!
E então uma gralha passou voando, viu a raposa e chamou os animais: o lobo, o urso e a lebre. Os animais jogaram os machados e os baldes, correram para a clareira, e lá estava a raposa dançando!
Ah, raposa, raposa! – gritaram os animais, - Focinho astuto! E nós acreditamos em você, queríamos ajudar!
A raposa viu os animais, encolheu a pata, caiu de joelhos, começou a lamentar:
Ai, meus amigos da floresta! Foi graças à sua ajuda que me curei!
Mas os animais acenaram com as patas, ofenderam-se com a raposa linda, viraram-se e saíram dela. Assim a raposa ficou com nada, e ainda ofendeu os animais da floresta.
E a gralha voa sobre ela e grita:
Não é bonito quem tem um rosto bonito, mas quem é bom para o trabalho! Bem feito para você, raposa! Ficou sozinha! Agora vai saber como é enganar amigos!
